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Fissuras, trincas ou rachaduras na parede: problema estético ou risco estrutural?


Escrito por Rayane Oliveira Fernandes bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).


As manifestações patológicas em edificações, como fissuras, trincas e rachaduras, representam sinais visíveis de que algum elemento construtivo sofreu deformação ou perda de desempenho. Embora muitas vezes sejam tratadas apenas como problema estético, essas aberturas podem indicar desde fenômenos simples de retração até riscos estruturais relevantes. Segundo a literatura técnica, as fissuras são aberturas finas, geralmente inferiores a 1,0 mm, comuns em revestimentos e pinturas, decorrentes de retração da argamassa, variações térmicas ou umidade. A Figura 1 ilustra a representação das fissuras. 

Figura 1: imagem de fissura superficial 

Fonte: THOMAZ (2026).


As trincas, com abertura intermediária, normalmente entre 1,0 mm e 3,0 mm, merecem maior atenção, pois podem estar relacionadas à movimentação diferencial da estrutura, recalques de fundação ou sobrecargas. Elas surgem frequentemente próximas a portas, janelas ou encontros entre materiais distintos, de acordo com a Figura 2. 


Figura 2: imagem de trinca em alvenaria 

Fonte: ICESP (2026).


Já as rachaduras, superiores a 3,0 mm, tendem a representar estágio mais avançado de deterioração. Além do comprometimento visual, favorecem infiltrações, corrosão de armaduras e redução da segurança global da edificação. Em alguns casos, indicam deformações excessivas ou falhas estruturais que exigem intervenção imediata, conforme Figura 3. 


Figura 3: rachadura profunda em parede ou viga 

Fonte: THOMAZ (2026).


Entre as principais causas dessas patologias destacam-se: recalque diferencial das fundações, ausência de vergas e contravergas, variações higrotérmicas, falhas executivas, uso inadequado de materiais e deficiência de manutenção preventiva. Dessa forma, o diagnóstico técnico deve considerar localização, direção, profundidade e evolução temporal da abertura.

Recomenda-se que o usuário registre fotografias periódicas, meça a abertura e observe sinais associados, como portas emperrando, paredes abauladas ou infiltrações. Quando houver crescimento progressivo, a avaliação de um engenheiro civil é indispensável. Portanto, conclui-se que nem toda abertura representa risco estrutural, porém toda manifestação patológica merece investigação, pois o tratamento precoce reduz custos e aumenta a durabilidade da construção.


Referências


REVISTA ICESP. Estudo sobre manifestações patológicas em edificações e análise de fissuras estruturais. Disponível em: https://revistas.icesp.br/index.php/Real/article/view/6552. Acesso em: 21 abr. 2026.

THOMAZ, Ercio. Trincas em edifícios: causas, prevenção e recuperação. São Paulo: Oficina de Textos, 2020. Disponível em: Google Books. Acesso em: 21 abr. 2026. 





 
 
 

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